A rua fala

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A protagonista de “Mesmo Se Nada Der Certo” (2013) é Gretta (Keira Knightley), uma compositora inglesa que vai aos EUA acompanhar o namorado Dave, um roqueiro em ascensão. Eles vivem cinco anos juntos e ela acredita que são uma dupla, mas Dave está mais preocupado com os shows, as fãs e a vida de rock star.  Ao ser dispensada pelo namorado, Gretta perde o chão e aos poucos deixa que as ruas de Nova Iorque falem com ela.

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O roteirista e diretor John Carney faz com que a câmera em movimento nos ofereça um passeio pelas ruas da Big Apple, com seus barulhos, bêbados, trânsito, magia e pontos turísticos. Dan (Mark Ruffalo), na pele de um ex-produtor decadente, (em uma das minhas cenas favoritas) acompanha Gretta mentalmente com uma orquestra, enquanto ela canta tímida num barzinho local.  Dan (Ruffalo) tenta convencê-la a mudar de visual, ou mesmo fazer um estilo “Norah Jones”, mas a garota de estilo retrô tem humor ácido e se recusa, dizendo que ele está mais para um Homeless do que para um produtor de sucesso. Eles caminham juntos e ela muda de ideia no dia seguinte, ligando para ele. Dan sugere gravar na rua o álbum de Gretta, misturando sua voz e os instrumentos aos sons da cidade.

É tão doce e real, que nos perguntamos pra que criar cenários que não sejam o próprio real? A crítica gostou pouco desse filme, mas nada melhor do que pensar no conceito de “Multitude”, onde Negri diz que é a multidão que comanda a história, absorvendo a proposta do diretor irlandês John Carney, ex-baixista do grupo irlandês “The Frames”, que deixou a música pelo cinema e em 2006 dirigiu “Apenas uma Vez”, um musical moderno e sensível.

 

 

A letra de “Star, Star”, da banda “The Frames” já apontava essa capacidade de Carney para ler as ruas. “A multitude persegue o comum e vai se bater por liberdade, igualdade e desenvolvimento. A multitude não é uma massa sem forma, é um conjunto de singularidades que propõe condições para um novo mundo”, nos ensina Antônio Negri.

Eles não se conhecem, mas o italiano Negri tem muito para conversar com o irlandês Carney, pois ambos compartilham da mesma visão de porvir.

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